Recurvada sobre três estacas , sem o acidental encosto do banco é fácil fazer contas.Fico numa suspensão atónita a ver um leque de dedos a abanarem com o vento a resposta provisória.Porque fazer as contas é trazer dignidade, quando se sepulta que fazer de conta é bem pior . A esperança nasce apenas da tua urgência , da tua inquietação , mas e se uma resposta é em si definitiva , esmaga certamentamente a parte possível que tinhas procurado dominar .Quando se chega a perceber que a morte é um espaço limitado , deixam de existir dúvidas no rigor de uma construção de cidade .Nisto a vida tem imensa razão e eu não tenho necessidade da sua inteligibilidade .Quero lá ter de sabê-lo. Quero é solidificar a astúcia que é encontrar um cantar de paz , mesmo sabendo que isso não é da tua conta .Se começar a contar não acreditas que este conto é definitivo .Legitima a minha paz e deixa de achar que podes contar comigo, só porque me apetece desistir de fazer de conta que sou sensível .
À sensibilidade , que sabe perfeitamente o tom que deve usar comigo !!!!!!
quarta-feira, 31 de março de 2010
sábado, 27 de março de 2010
" Burlinha "
Ontem comprei um livro numa feira aqui ao pé de mim , daquelas feiras em tenda de pano ,amedrontadas por gente que parece que meteu coisas nos bolsos , a lutarem por uma ventania que as derrube , enquanto um funcionário faz de alarme à saída do estáminé .
O Livro é de Abel Botelho, lá um fóssil literário da era dos dinossauros. E o título é " O livro de Alda " português barroco , a cheirar às bonecas de pano da Santa da Misericórdia , já que realmente ninguém o quis .
A fervilhar alegrias por todos os lados , sentei-me ao acaso numa folha a meio do livro .Não me espantei que a Alda não tivesse albergue porque às vezes sou imbecilóide e escorrego a qualquer perdigoto , como se fosse uma poça .
Abri aquela porcaria e vejo duas folhinhas em branco mesmo a meio do enredo , o que senti :
a) Merda para o Senhor Botelho e a sua família toda incluindo o seu piriquito sem pata
b) O livro da Alda é uma tremenda ALDRABICE .
c)Vontade de ir imediatamente trocar o livro .
Claro que optei pela piorzinha, que foi aramar-me em besuga do Samouco
e na perfeitíssima estupidez escrever nas folhas em branco :
então acrescentei :
Capítulo Tóto
(Concentre-se na parte da burla )
está a senti-la?
na outra página escrevi
Capitulo Lacrimejante
O vazio das folhas, só tardiamente sentido .
Acabei à porrada com a folhas e só depois é que me lembrei que se não fosse tantas vezes imbecil.. gostaria de ter mais saliva na precisão dos dedos , melhor memória e talvez algumazinha rapidez de acção .
É triste mas as folhas ganham-me sempre ... pareço uma bébe desamparada , afrontada por não decifrar certos abecedários .
O Livro é de Abel Botelho, lá um fóssil literário da era dos dinossauros. E o título é " O livro de Alda " português barroco , a cheirar às bonecas de pano da Santa da Misericórdia , já que realmente ninguém o quis .
A fervilhar alegrias por todos os lados , sentei-me ao acaso numa folha a meio do livro .Não me espantei que a Alda não tivesse albergue porque às vezes sou imbecilóide e escorrego a qualquer perdigoto , como se fosse uma poça .
Abri aquela porcaria e vejo duas folhinhas em branco mesmo a meio do enredo , o que senti :
a) Merda para o Senhor Botelho e a sua família toda incluindo o seu piriquito sem pata
b) O livro da Alda é uma tremenda ALDRABICE .
c)Vontade de ir imediatamente trocar o livro .
Claro que optei pela piorzinha, que foi aramar-me em besuga do Samouco
e na perfeitíssima estupidez escrever nas folhas em branco :
então acrescentei :
Capítulo Tóto
(Concentre-se na parte da burla )
está a senti-la?
na outra página escrevi
Capitulo Lacrimejante
O vazio das folhas, só tardiamente sentido .
Acabei à porrada com a folhas e só depois é que me lembrei que se não fosse tantas vezes imbecil.. gostaria de ter mais saliva na precisão dos dedos , melhor memória e talvez algumazinha rapidez de acção .
É triste mas as folhas ganham-me sempre ... pareço uma bébe desamparada , afrontada por não decifrar certos abecedários .
sexta-feira, 26 de março de 2010
" Ávida e com gula "
Assim ... tentei limitar-me ao simples relato das desordens da minha vida :
Vão com um adeus . Venham sem o diabo .
Tenho medo quando vão sozinhas ,no perigo da solidão e vêm agarradas a uma borda de cú que vos salva .
Vão com um adeus . Venham sem o diabo .
Tenho medo quando vão sozinhas ,no perigo da solidão e vêm agarradas a uma borda de cú que vos salva .
quinta-feira, 25 de março de 2010
" Cabeçalho"
De Chama .Não busques não esperes .
Sem concessões , quão vã e oca .
Hoje estou ares de tribuna .
A economia da Paz é só dizer isto.
aqui ficou uma nota... de cabeçalho
assina no rodapé a supor isto o fim da folha ,
Tudo pró mal passado.. ! Tb concordo e assino, porque sou benemérita quando as pessoas são divertidas .
Sem concessões , quão vã e oca .
Hoje estou ares de tribuna .
A economia da Paz é só dizer isto.
aqui ficou uma nota... de cabeçalho
assina no rodapé a supor isto o fim da folha ,
Tudo pró mal passado.. ! Tb concordo e assino, porque sou benemérita quando as pessoas são divertidas .
quarta-feira, 24 de março de 2010
" As nervuras da memória que é como uma rosa "
-Levo-te sempre comigo , dizia-te a sede !
-Eu sei , respondias com um ego enterrado na zona sub - lingual .
Agora pesas-me como chumbo , portanto deixei-te escorreita ao sol à espera da vaga num banco do jardim , a contar as folhas do rosário, onde os cães mijam sem licença de medo .
-Não queres ficar aqui comigo , insistias
Pirei-me , só para não dividires comigo a tua amargura sem terra fértil .
Conclusão : Quando algo sai rente aos lábios parte os dias a qualquer um .
Com aquela memória nervosa dos espinhos da Rosa , que à uns anos me ofereceste e que afinal foste tu que ficaste a segurar o ramo, num esguicho de sangue .
-Eu sei , respondias com um ego enterrado na zona sub - lingual .
Agora pesas-me como chumbo , portanto deixei-te escorreita ao sol à espera da vaga num banco do jardim , a contar as folhas do rosário, onde os cães mijam sem licença de medo .
-Não queres ficar aqui comigo , insistias
Pirei-me , só para não dividires comigo a tua amargura sem terra fértil .
Conclusão : Quando algo sai rente aos lábios parte os dias a qualquer um .
Com aquela memória nervosa dos espinhos da Rosa , que à uns anos me ofereceste e que afinal foste tu que ficaste a segurar o ramo, num esguicho de sangue .
" TRAIÇÃO " (tentativa repulsa autêntica imposta caminhos amplos olhos)
Ninguém escreve sobre as ladainhas que lhe reclamam.Este ninguém sou eu o bico da minha caneta e o botãozinho off que a emudece . Tudo o resto está sujeito a pressões esquisitas .Que fique escrito com alguma mania económica , que não sou nenhum nariz aberlocado de uma proa .Posso ser tudo menos " coninha de sabão "e para fingir que o sou não sendo , porque a asneira é violenta,amo de coração ser isenta de influências .
Hoje acordei "shoninhas " , acabei por ser tolerante e arremessar as reflexões que me mendigaram , com um jeitinho tosco , contraído , cheiinhos de tiques medonhos , que eu num berro de azeitoneira transmontana deixasse de ser coninha de sabonete , quando o finjo ser com um sarcasmo que me rói os ossos .
Pediram-me para cavar a traição sem complicações e à la modo escola primária .Disparo-a sem sofrimento , não a vou classificar de emocional ou amistosa , prefiro purgá-la como poética , tingida de um orgulho triste nas cuecas , liquefeita por um ser chupado de ódio nas gengivas e uma azeda fome de suspiros que lhe cresceram em silêncio , dentro do horrorosamente só , intermitente no ouvido ,com ligeiros inchaços de alma que desabam numa sombra de trémulos pesares .
O traidor /a anda concerteza a ganir por um encosto social , uma cura de ferro , uma névoa de luxo , uma constância vibrátil ora nas maminhas ora nos testículos , um único corpo pensado integro que transparece a perfeição ao longo do dia .
Existem também aqueles que lapidam a traição com uma fisga , porque gostam de sonos mais difíceis , fixam-se na abundância e imaginam-na sempre magra.Então pulam a segurar o resto dos outros confundidos com o erguer do aliciamento , muito diferente do que se encontra junto à vontade . Quando caem neles acabam todos à mesa , com acessos de ternura nas códeas do pão a impingirem a carne nua ou mal passada para o prato do outro .
A questão é que há sempre pessoas que acabam a refeição mais cedo e que preferem apenas amanteigar-se de pães sem códea.
Para o Zé da Piça (foi ele que me pediu tal texto) para que deixe o " tudo o que vê " cobiça.
Abracinho irmão da tasca n-º 2 da avenida e força na vareta :P todas elas ha-dem ,( como ele diz )... amá-lo .
Hoje acordei "shoninhas " , acabei por ser tolerante e arremessar as reflexões que me mendigaram , com um jeitinho tosco , contraído , cheiinhos de tiques medonhos , que eu num berro de azeitoneira transmontana deixasse de ser coninha de sabonete , quando o finjo ser com um sarcasmo que me rói os ossos .
Pediram-me para cavar a traição sem complicações e à la modo escola primária .Disparo-a sem sofrimento , não a vou classificar de emocional ou amistosa , prefiro purgá-la como poética , tingida de um orgulho triste nas cuecas , liquefeita por um ser chupado de ódio nas gengivas e uma azeda fome de suspiros que lhe cresceram em silêncio , dentro do horrorosamente só , intermitente no ouvido ,com ligeiros inchaços de alma que desabam numa sombra de trémulos pesares .
O traidor /a anda concerteza a ganir por um encosto social , uma cura de ferro , uma névoa de luxo , uma constância vibrátil ora nas maminhas ora nos testículos , um único corpo pensado integro que transparece a perfeição ao longo do dia .
Existem também aqueles que lapidam a traição com uma fisga , porque gostam de sonos mais difíceis , fixam-se na abundância e imaginam-na sempre magra.Então pulam a segurar o resto dos outros confundidos com o erguer do aliciamento , muito diferente do que se encontra junto à vontade . Quando caem neles acabam todos à mesa , com acessos de ternura nas códeas do pão a impingirem a carne nua ou mal passada para o prato do outro .
A questão é que há sempre pessoas que acabam a refeição mais cedo e que preferem apenas amanteigar-se de pães sem códea.
Para o Zé da Piça (foi ele que me pediu tal texto) para que deixe o " tudo o que vê " cobiça.
Abracinho irmão da tasca n-º 2 da avenida e força na vareta :P todas elas ha-dem ,( como ele diz )... amá-lo .
segunda-feira, 22 de março de 2010
" Poeta "
A Penúria da língua é a sua força
Reconhecendo nela a indigência
mais o apuro se empolga
e a submissão empolga a subtileza do espírito . (Fernando Echevarría)
... extremamente por fora ,numa pele de canja de galinha .
Hoje levei uma nova martelada na cabeça ...entranhei como uma célula terminal em alguém amigo , faz sentir pelo relato a convivência a cada segundo ,uma menina eterna ...
Só por isso é que nunca ponho ninguém a escorregar .Viver dos pormenores físicos é lindo e é audaz .Quase ninguém consegue .
Reconhecendo nela a indigência
mais o apuro se empolga
e a submissão empolga a subtileza do espírito . (Fernando Echevarría)
... extremamente por fora ,numa pele de canja de galinha .
Hoje levei uma nova martelada na cabeça ...entranhei como uma célula terminal em alguém amigo , faz sentir pelo relato a convivência a cada segundo ,uma menina eterna ...
Só por isso é que nunca ponho ninguém a escorregar .Viver dos pormenores físicos é lindo e é audaz .Quase ninguém consegue .
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